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Oscar 2022: o ano da diversidade cultural nas animações

Apesar de ser uma categoria relativamente nova no Oscar, “Melhor Animação” já possui um histórico ótimo de premiações para grandes obras do cinema desde 2002. Filmes como A Branca de Neve (1939), Uma Cilada Para Roger Rabbit (1988) e Toy Story (1996) já haviam recebido prêmios honorários por suas contribuições ao cinema, mas foi apenas em 2001 que a Academia passou a pensar em uma categoria para premiar filmes exclusivos de animação, sendo consolidada no ano seguinte.

Desde então os grandes estúdios como Disney, Pixar e Dreamworks dominam a categoria, com a Disney quase sempre levando o prêmio. O icônico filme “A Viagem de Chihiro” do Studio Ghibli foi uma das únicas animações internacionais a serem premiadas. Atualmente com o surgimento de streamings como a Netflix, que vem investindo muito em animações nos últimos anos, a categoria possui maior variedade de estúdios competidores e filmes com mais diversidade de temas.

Em 2022 os filmes que concorreram se dividiram entre Disney/Pixar com “Luca”, “Encanto” e “Raya”, Netflix em parceria com Sony Pictures Animation com “Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” e VICE Studios com “Flee”.
Apesar de apresentarem histórias completamente diferentes, todos esses filmes têm algo em comum: eles fogem dos padrões de filmes animados que retratam personagens e realidades da cultura americana.

A começar pelo vencedor “Encanto”, musical que conta a história de uma família colombiana que possui dons mágicos. O filme possui diversas referências latinas tanto em cenários quanto nos personagens. Em diversos momentos é possível reparar em detalhes e cuidados que os produtores tiveram para retratar a realidade de uma típica família colombiana.

Encanto, 2021.

Em “Luca”, que se passa na Itália, dois amigos têm aventuras por cenários completamente fiéis ao que seria uma cidade litorânea na Riviera Italiana. Além de introduzir um personagem PCD, os personagens têm traços muito comuns da região.

Luca, 2021.

O último filme Disney/Pixar indicado, “Raya”, se passa em uma cidade fictícia inspirada no sudeste asiático. É possível ver diversas referências das culturas desta região tanto na história contada quanto em cenários de tirar o fôlego.

Raya, 2021.

“Flee”, documentário da VICE Studios, conta a história da vida de Amin, refugiado LGBTQ+ do Afeganistão que conseguiu chegar à Dinamarca aos 36 anos. O longa merece destaque por mostrar de forma sensível as memórias por meio de animação, gerando um documento histórico e único.

Flee, 2021.

Já “A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas” da Netflix, ficção sobre uma família que entra em uma aventura apocalíptica contra máquinas revoltadas, não inova tanto no aspecto cultural mas apresenta uma protagonista abertamente LGBTQI+ e trata o assunto de forma natural.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, 2021.

Pela primeira vez todos os filmes indicados apresentaram histórias diversas e com muita representatividade, o que pode dizer muito sobre o rumo que as produções cinematográficas estão tomando com a internet e o maior alcance geográfico que os streamings proporcionam.

Após a temporada de Oscar a nova aposta da Disney foi “Red: Crescer é Uma Fera”, que apresenta uma personagem de origem chinesa e animações com diversas referências às produções da região. Já para o futuro um novo filme de Carlos López Estrada (Raya) está a caminho.

O que isso tudo pode dizer sobre o futuro dos filmes animados? A tendência é produzir experiências únicas para quem está assistindo, fazendo com que a representatividade cresça cada vez mais.

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Taynara Miguel
Estação Lunar Studio